Manta cachecol

Se durante uns bons tempos tivemos as golas de lã (fofinhas, fofinhas), quer-me parecer que este ano as podemos deixar arrumadinhas, à espera que a vez delas regresse, porque a loucura agora são as blanket scarves ou, na língua de Camões, as mantas cachecóis.

Foram introduzidas pela Burberry no desfile da apresentação da coleção Outono/Inverno 2014 e logo de seguida a queridinha da Olivia Palermo veio confirmar, sim, as restantes marcas podem começar a produzir as vossas, que isto está na moda e vai vender-se que nem pãezinhos quentes e pela altura do Natal não vai haver moça que não tenha uma.

Ora eu, que não digo que não à Olivia (e que sou apologista de modas que me façam sentir como se ainda tivesse em casa, de pijama e manta, no sofá, em vez de vestida e na rua às 8 da manhã), já estou à procura da minha!

Adoro o Inverno, a chuva e o friozinho, mas sofro um bocadinho com esta minha condição de moça frágil – estamos em Outubro, ainda ontem andava de sandálias, mas à noite já sinto os pés gelados como se estivesse no Alasca. Não pode haver tendência que me faça mais feliz neste Inverno!

burberry blanket scarfMinos Magnan stylist seattle street style fashion it's my darlin' blanket scarf platinum braids_0453tfss1georgia_fall_outfit_little_blonde_book2X4A8673_TEMPLATE_LQ10682107_10152265277356021_1856617520_n

A melhor parte é que eu nem sequer acho assim muita piada à versão da Burberry – não sei, aquela coisa das iniciais estampadas, as cores… Ainda que gostasse, tenho tento na carteira, pelo que as opções serão sempre nas melhores amigas da comum mortal: as lojas de fast-fashion. A procura já começou e esta é uma daquelas – raras – peças que, apesar de não ser um investimento extraordinário, me leva a querer estender este processo de namoro: a procura, a análise, imaginar as combinações com o que já mora no meu roupeiro… Por isso, vou-me deixar estar neste namoro preguiçoso, neste flirt de moda, que é tão saboroso como a compra em si, até ter a certeza de que aquela é a manta que me vai fazer feliz. Quando houver fumo branco, comunico!

Miau!

Eu não era uma pessoa de gatos, até que, mudada para a casa nova, senti falta de uma companhia de quatro patas.

Avaliando a situação, adoptar um cão seria irresponsável, uma vez que tanto eu como o homem lá de casa passamos a maior parte do dia fora de casa, sem possibilidade de lhe oferecer a companhia e os passeios frequentes que qualquer cão merece. Optámos então pelo gato, mais independente, necessitado de companhia, carinho e atenção na mesma, mas mais flexível na questão da higiene e do tempo disponível.

Eu não era uma pessoa de gatos, até que recebemos um gato preto pequenino, tremelicante, assustado. Até que acolhi aquele animal na minha casa e prometi cuidar dele e dar-lhe uma boa vida de gato. E tornei-me uma pessoa de gatos.

Por isso, quando a Refinery29 me apresenta as tendências em acessórios desta forma, eu não posso ficar mais do que rendida.

image6 image5 image4 image3 image2 image

La Redoute

Lembrava-me da La Redoute como me lembro da minha infância: doce, reconfortante e a um milhão de anos de distância. A La Redoute era, para mim, aquele catálogo grosso que a minha mãe recebia por correio e que nos entretínhamos a ver as duas, num exercício que agora, anos depois, fazemos no shopping: com espírito crítico, gosto disto, não gosto daquilo, aquilo é muito giro mas não te fica bem – mãe e filha com a mesma sinceridade acutilante. Parece que foi há milhões de anos atrás, essa época mágica em que nem tínhamos um centro comercial em cada esquina, nem as lojas de roupa tinham a produção em massa que têm hoje. Este folhear de catálogo era um exercício que naturalmente terminava com o preenchimento da nota de encomenda – sempre com uma coisinha para a mãe, uma coisinha para a filha.

Algures na minha adolescência o meu estilo zangou-se com o mundo em geral e a maior parte das “modas” não me serviam as medidas. Entretanto, o tempo passou e a memória do catálogo da La Redoute ficou guardadinha num recanto do meu cérebro.

Há uns tempos fiz uma pesquisa por uma determinada peça no Google, que me retribuiu com vários resultados, entre eles um produto da La Redoute. E vieram-me à memória aqueles catálogos, aquele lamber de montras que ainda não o era mas já predizia as longas tardes de compras de que, mais tarde, eu e a minha mãe desfrutaríamos.

Acabei por não encomendar a tal peça, mas encomendei um vestido que chegou no Sábado e que superou largamente as minhas expectativas: não só o tamanho escolhido assenta como uma luva, como o material e os acabamentos são realmente bons!

Apresento-vos o bicho, não sei se ficarão tão encantadas como eu, mas asseguro-vos que vestido é 1000 vezes mais giro ao vivo.

324475360_0_PR_1_324475360-acd8c6ce-beea-469d-a1d8-bb0accded268 324475360_1_CO_1_324475360-749c93af-4860-42ce-a09d-a7a7b1f6e464

Agora só estou à espera que os dias esfriem um bocadinho, porque o tecido é um tecido de Inverno. Entretanto já tenho umas coisas debaixo de olho, que virão cá para casa assim que, lá está, o tempo permitir devaneios de Inverno.

Entusiasmada com isto tudo, dei umas voltas pelo site, fui dar com as Crónicas dos Nossos Leitores e acabei por escrever umas palavras por lá.

Desafio-vos a ler as minhas tontices noutra plataforma que não o blogue e a darem também o vosso contributo ;)

Para quem nos vestimos?

Gosto MUITO de blogues brasileiros. Gosto da linguagem descontraída, da escrita fluida e natural que quase parece que a autora está ali, “conversando comigo”, da postura fácil e easy going. Gosto dos blogues brasileiros como gosto dos livros de Jorge Amado e das novelas da Globo: porque me transportam, por breves momentos, para o outro lado do oceano, onde o calor aperta, onde as pessoas são de sorriso fácil, um cenário feito de meias verdades e de muitas coisas que, eu sei, admito, serão puramente construções da minha cabeça.

E gosto principalmente de blogues de moda brasileiros, em oposição aos europeus, porque é mais fácil identificar-me com as blogueiras brasileiras: por muito que gostasse, não nasci loura, alta, magra e escândinava. Assim sendo, não deixo de gostar de ver as moças suecas, norueguesas e dinamarquesas e a sua deliciosa moda minimalista, mas tenho um certo gosto por ver como resultam certas peças em pessoas com rabo e coxas, barriguinha e perna, pessoas como eu.

Entre as mil e uma viagens virtuais que faço, e um bocadinho no seguimento do post anterior, descobri este texto no Modices, que não podia transmitir melhor aquilo que penso sobre a moda:

“(…) É repetitivo, é cliché, todo mundo sabe (mas todo mundo esquece): vista-se pra você, sempre. A gente gasta tanto tempo vendo moda e pesquisando moda e selecionando o que a gente gosta e o que a gente não gosta. Pra que investir todo esse tempo numa coisa que no fim das contas você não está fazendo por você? Está fazendo pela imagem que quer projetar, ou por como você gostaria de ser vista. Eu sei que é bater na mesma tecla, mas estilo pessoal é pra ser pessoal mesmo, e é imperativo que você escute a vozinha interior na hora de se montar. Acho que vale o exercício de olhar as fotos da infância e da pré adolescência e lembrar de como era legal se vestir quando a gente não tinha vergonha de nada, sabe? Porque a criatividade vem daí – da falta de vergonha e de preocupação com o que os outros estão achando da sua roupa. (…)”

Cliquem aqui para ler o texto na íntegra, vale a pena!

VFNO

fashion-victim

Este será, provavelmente, o post mais estranho que lerão sobre a Vogue’s Fashion Night Out.

Todos os anos, toda a gente que me conhece, incluindo o homem lá de casa, me pergunta “Então, vais à Fashion Night Out”. Todos os anos, respondo que não, para a seguir ouvir um “Então mais tu gostas tanto de roupa!”.

Eu não gosto taaaanto de roupa. Roupa é um bocado vago demais. Eu gosto de moda. Eu gosto das diferentes texturas, das confecções, das técnicas, dos resultados. Gosto de ver uma boa peça high fashion, onde cada pormenor é pensado, e gosto de ver como, mesmo com roupas das chamadas fast fashion, o estilo e a criatividade transformam o básico em algo fantástico.

Gosto de moda, porque gosto de olhar para roupa como quem olha para uma pintura, para uma fotografia. Gosto de consultar blogues e revistas (maioritariamente blogues, preferencialmente de comuns mortais) e ver pessoas bem-vestidas. Bem-vestidas, no sentido estético da coisa, não no sentido monetário, tanto me faz se é Prada ou Primark. Gosto de pessoas que brincam com a roupa, que conseguem expressar a sua personalidade e criar arte com peças de roupa.

Não sou obcecada por roupa. Sou obcecada por moda. Não passo o dia a contar os trocos para comprar mais uma camisola ou a varrer as lojas à procura de determinada peça. Passo o dia a consultar blogs de gente criativa, descontraída, que tanto escreve sobre sapatos como sobre política. Não me interessa muito saber o que se vai usar no próximo Inverno, interessa-me saber o processo de criação daquele vestido, de onde nasceu a ideia, que técnica foi utilizada.

Quero com isto dizer que a VFNO não me fascina por aí além. É uma ideia gira, dá um novo alento ao comércio de Lisboa (pena este alento ser só uma noite por ano), mas a ideia de me ir entalar num mar de gente para beber um copo de champanhe na Massimo Dutti e fazer uma manicura à borla na Mango não é, de todo, concordante com a minha ideia de uma noite bem passada. Muito menos os descontos que as lojas praticam justificam o stress da deslocação (infelicidades de quem mora nos subúrbios).

Não digo que nunca irei. Mas a VFNO não é, à partida, um evento que me seduza. Gostava muito mais de assistir à Moda Lisboa, ainda que, mesmo assim, preferisse uma escapadinha aos bastidores do que estar sentada a assistir aos desfiles.

A conclusão é: gostar de moda não me leva obrigatoriamente a babar por qualquer evento que inclua a palavra “Fashion”, e este não é um blogue de moda ;)

simples

016200739_1

Eu sou feliz de cara lavada e pijama, no sofá, com uma chávena de chá nas mãos e o gato no colo. Eu sou feliz de vestido de gala, com suficientemente altos para obedecer às leis da minha gravidade. Eu sou feliz de calças de ganga, de saia, de vestido. Sou tão feliz às sete da manhã, quando os contornos escuros dos meus olhos denunciam as horas de sono que me foram roubadas, como às dez da noite, quando o ritmo da rotina já levou a maquilhagem tão perfeitamente aplicada horas antes, quando o alarme do corpo cansado começa a soar. Sou feliz quando visto aquele vestido novo que assenta na perfeição e quando experimento aquelas calças que já não me servem, mas eu teimo em guardar.

Levamos horas entre cremes, maquilhagens e roupas e às vezes esquecemo-nos de que a fórmula mais importante para a juventude não se encontra em nenhum frasco, nenhum boião, e não pertence a nenhuma marca. Um grande sorriso, estar em paz connosco, aprender a aceitar os nossos defeitos. É esta a fórmula mágica que deve preceder qualquer anti-olheiras, creme modelador ou base de maquilhagem.

 Eu sou tão feliz ao espelho como longe dele porque aprendi a aceitar um corpo, este corpo, o único que tenho e que só me vai durar esta vida. É assim: simples. 

Desejos

Tendo em conta que este Agosto está a ter ar de Outubro, tendo em conta que o tempo passa a voar, tendo em conta que lojas e centros comerciais nos começam a injectar o espírito natalício 2 meses antes da data em questão, podemos começar a falar de presentes de Natal?

Então para mim pode ser este, faxavor:

B4095000_0_cartier_rings

 

Da cartier, em ouro branco com diamantes, bichinho para custar 2920 libras, que é como quem diz 3600€, mais coisa, menos coisa.

Também aceito a versão low cost:

890libras

Já só em ouro branco, sem diamantes, desce para uns simpáticos 1000€. Graçasadeus que sonhar é de borla.