Tendência em banho-maria


Por esta altura, já devem ter percebido que sou fã de saias lápis. Acabando acima ou abaixo do joelho, é o tipo de saia certo para nos fazer sentir a tipa mais jeitosa do bairro. É a fórmula Kardashiana para levantar a moral. Como sou uma moça descontraída, gosto de as combinar com peças igualmente desocontraídas: t-shirts, camisas oversized, blusões, sapatos e sandálias rasas e até mesmo ténis.

Há uns dois anos, a saia lápis em ganga foi tendência e eu rendi-me à evidência. No Verão, comprei uma em ganga clarinha, com uns rasgões para lhe dar mais ar de mázona (à saia, que eu não preciso) e usei-a até à exaustão. Guardei para o ano seguinte, mas por motivos que a razão desconhece, embirrei com ela e deixei-a de castigo no armário, durante todo o Verão.

Diz que este ano a ganga volta em força – nesse delicioso movimento cíclico que traz para as montras aquilo que as nossas mães usaram há alguns anos atrás. Pelo que tenho visto, a oferta das lojas fast fashion centra-se muito no modelo evasê, em patchwork ou com botões na frente, que não me seduz muito. Lembrei-me então da minha boa saia lápis de ganga, que aguarda pacificamente no meu armário, junto dos tops, blusas e vestidos de Verão, que a chuva pare, o tempo aqueça e a dona a volte a usar. Não é uma peça loucamente versátil: não se adequa a alguns ambientes de trabalho, não gosto muito de a combinar com tons escuros… Mas tem pinta, é confortável e perfeita para usar no Verão.

Pode dizer-se que ficou ali, em banho-maria, uma tendência para reaquecer e voltar a provar neste Verão, sendo que há pratos que ainda sabem melhor reaquecidos (surge-me assim de repente o chili, que fica ainda mais divinal de um dia para o outro). E parece-me que esta saia, agora amadurecida pela espera, ainda me vai saber melhor este Verão!

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Fashion rehab

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Comecei por pensar que fosse a mudança de estação. Aquele formigueiro leve que vai aumentando à medida que Fevereiro se afasta e que se manifesta nessa experiência fisiológica do corpo a pedir calor, sol e dias mais longos. Assumi que era cansaço das roupas de Inverno.

Entretanto chegaram as colecções de Verão e constatei o que já era óbvio, mas que queria ignorar: estou cansada das roupas, das lojas, das colecções, dos perfis de instagram cheios de marcas inacessíveis ao comum dos mortais. No geral, estou cansada de ver sempre os mesmos looks, as mesmas combinações e uma atenção desmesurada a tudo o que é marca em detrimento da parte mais pessoal e divertida da coisa: a criatividade, o nosso cunho pessoal em cada look. Não acredito que seja preciso um orçamento ilimitado para ter estilo: pelo contrário, os looks que me enchem o olho nessa blogosfera fora são normalmente compostos por peças em segunda mãoO processo criativo de quem reaproveita modas é muito mais interessante e muito mais rico do que o de quem se limita a puxar do cartão de crédito – sem julgamentos, cada um faz o que lhe aprouver com os trocados que ganha.

Dei por mim a, no dia-a-dia, dar muito mais atenção a pequenos pormenores, aos acessórios e à inserção de “pequenos nadas” para fugir do “uniforme fashion” que polui a blogosfera. Sou muito básica na altura de vestir: gosto de peças lisas, saltos rasos, texturas simples e cores neutras. Não porque procure seguir modas, mas porque uso a roupa como extensão da minha personalidade e é assim que me quero apresentar: simples, sem “firulas”, como dizem os brasileiros. Mas, fazendo uma avaliação isenta, acabo por concluir que também é resultado das modas ditadas pelas lojas de fast fashion: ainda estamos a sair de uma estação em que o minimalista foi regra, salvo algumas excepções, e a escolha, que no meu caso varia entre as Zaras e as Mangos desta vida, não é muita. Virei-me para as lojas online, mas mesmo aí a ditadura das tendências fala mais alto.

Faz-me falta inspiração. Fazem-me falta padrões, cores e, acima de tudo, formas diferentes de ver a moda, pessoas que corram riscos, marcas que saiam da mesmice das colecções trendy. Se outrora chegava aos centros comerciais e os olhinhos começavam a brilhar e acabava o mês a chorar a conta depenada, mas cheia de mim nas minhas roupas novas, hoje em dia o mais comum é sair dos centros comerciais cansada, aborrecida e de mãos vazias. Dou por mim a pensar duas, três e quatro vezes se quero mesmo aquilo, se preciso mesmo de mais uma peça, se aquela saia/camisola/casaco vai trazer alguma coisa nova ao meu armário, quando houve alturas em que nem pensava duas vezes no assunto.

Ao passear pela blogosfera, encontrei este artigo e acabei por perceber que não sou só eu que estou cansada da moda. Descobri que, nas palavras da autora, afinal, talvez tenha abusado da moda.

Talvez esteja mais crescida, talvez esteja financeiramente mais responsável (duvido!) ou talvez esteja farta da fast fashion e precise de reinventar a maneira como vejo a moda. Talvez precise de ver as coisas do outro prisma – o da criação, da reinvenção – e aposentar-me das visitas às lojas de fast fashion durante uns tempos. Estou numa fashion rehab e não tenciono sair daqui tão cedo.

Um Lusho*!

Já vos tinha falado da Lush neste post, quando descobri a manteiga maravilhosa que salva o meu cabelo entre sessões de alisamento. Aproveitei o feriado para bater perna em Lisboa, aproveitar o sol maravilhoso e voltar a essa loja de sonho que é a Lush do Amoreiras.

Foi a segunda visita que fiz à loja e não me desiludiu. Tal como da primera vez, fui maravilhosamente atendida por umas moças impecáveis que tiveram uma paciência à altura da minha curiosidade e me sugeriram vários produtos conforme as queixas de beleza que apresentei.

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Ignorem a qualidade fracota da imagem, a fotografia foi tirada com o telemóvel e em fracas condições de luz. Foi uma fotografia improvisada e à pressa porque sei que, assim que pusesse os produtos a uso, ia ter preguiça de lhes os recolher todos das mil bolsas e prateleiras onde habitam os meus produtos de higiene e cosmética e fotografar.

Assim sendo, e como o que conta é a intenção e não é pela fotografia que os comprovo o quão apaixonada fiquei pelos produtos (ainda que, na Lush, o aspecto visual seja um ponto muuuito positivo), aqui ficam as minhas impressões sobre cada um.

Retread – Segundo a marca, é um hidratante poderoso para “aquelas alturas” em que nada nos salva o cabelo. Ainda é cedo para tecer grandes considerações, mas parece-me que cumpre o que promete. O cabelo está suave e sedoso. É um produto muito líquido, pouco consistente, e, na primeira utilização, fiquei com aquela sensação de que estava a aplicar pouco. Mentira, não é preciso abusar, é preciso habituarmo-nos à textura mais líquida e aplicá-lo com o cabelo bem escorrido, quase sem água, para absorver melhor. Tem um cheiro que considero bastante neutro, ao contrário da maioria dos produtos da Lush, que muita boa gente considera demasiado activos.

Eau Roma Water – É um tónico de lavanda e água de rosas que promete ser um multiusos: refresca e tonifica a pele, podendo ser aplicado com a ajuda de um algodão no final da rotina de limpeza de rosto ou borrifado directamente na cara para fixar a maquilhagem e/ou refrescar. Também pode, segundo indicação das meninas da loja e algumas indicações que tinha lido pela blogosfera fora, ser aplicado após a depilação: a lavanda acalma e suaviza a pele, prevenindo assim o aparecimento de marcas causadas por alergias. Tem um cheirinho suave, muito fresquinho, um mimo para a pele do rosto, especialmente antes de deitar.

Sugar Scrub – É o embrulhinho à direita. Gosto de esfoliantes à séria, fazer festinhas não vale! Este foi o esfoliante que me recomendaram, o mais “à séria” e é de facto rugoso. Tem na composição funcho e gengibre para dar um susto à celulite e lavanda para acalmar a pele. O formato não é fácil, mas na loja ensinaram-me um truque: desfazê-lo num pote com um bocadinho de água. Desta forma torna-se mais fácil aplicar e rentabiliza-se o uso.

Kalamanzoo – Trata-se de um creme suavizante para rosto e barba e não é, obviamente, para minha utilização, que a barba não combina muito com o meu formato de rosto. Trouxe-o como miminho para o homem cá de casa e para ver se aquela barba do demónio me deixa de picar a cara. Meninas que sofram do mesmo mal, é uma prendinha válida e parece que, apesar de não termos barba, também podemos usar para a lavagem do rosto. Ainda não experimentei.

Parsley Porridge – Uma amostra que recebi – na Lush, em cada compra, oferecem sempre amostras, o que é fantástico para experimentar novos produtos e voltar lá já com produtos favoritos. Um sabonete antibacteriano, que faz imensa espuma e tem um cheirinho agradável.

Grass – Também em formato amostra, trouxe comigo um gel de banho que as funcionárias da loja sugeriram. O aroma não será do gosto de toda a gente: cheira a relva, relva molhadinha como no final de um dia de chuva. Eu cá gosto, sente-se o cheiro durante o banho e até é algo activo, mas depois do banho fica só um aroma suave na pele.

Dream Cream – Mais uma amostra e esta de facto cumpriu a sua tarefa: assim que acabar, vou voltar à loja e comprar o tamanho grande, porque simplesmente adorei esta loção. Deixou-me a pele das pernas – a mais problemática de todas – realmente suave e hidratada. Fez mesmo diferença. Uma grande frustração que tenho com os cremes corporais é que a maioria deles cheira muito bem, é fácil de aplicar, é bem absorvido, mas duas ou três horas depois já não se nota nada, é como se não tivesse aplicado creme nenhum, especialmente nas pernas, onde a minha pele é muito seca. Com este creme senti a pele mesmo hidratada, fiquei apaixonada! O cheirinho é suave e agradável. Tem leite de aveia, o que faz dele ideal para peles sensíveis e já li por essa Internet fora que é aconselhado até para peles com psoríase e outros problemas, com excelentes resultados.

Vale mesmo a pena ir à Lush. Os produtos são um pouco mais caros do que produtos de supermercado, mas, se costumam comprar produtos de farmácia ou perfumaria, o preço é equivalente. Com o benefício de que os produtos são compostos por ingredientes maioritariamente naturais. Comigo, todos os produtos da Lush têm funcionado e arrisco-me a dizer que é por isso mesmo: tenho uma pele e um cabelo tremendamente exigentes e o facto de os produtos serem naturais funciona melhor comigo. Acredito que não será assim com todas as pessoas, mas aconselho-vos a experimentar!

Ainda existem muitos produtos Lush que quero experimentar e, a correr sempre assim a experiência, desconfio que vou trocar grande parte dos meus cosméticos em breve. Por outro lado, há coisas que quero experimentar só por curiosidade, como as bombas de banho e as gelatinas de banho, que não me parecem ser excepcionalmente práticas.

*Trocadilho e erro ortográfico totalmente intencionais.

Eu sei que ando desaparecida. Eu sei que ando desleixada (aqui no espaço, que na vidinha real continuo sempre linda, arrumadinha e cheirosinha). 50% falta de pachorra, 50% falta de tempo. Eu sei que vocês compreendem.

Só para não ficarem chateadas comigo, deixo-vos alguma inspiração para os dias de verão que nos esperam. O turbante, a par dos chapéus e dos gorros, é daquelas peças que, apesar de achar cheio de pinta, não dá para mim. Além do desconforto, que eu gosto de ter a cabeça a arejar, deixa-me mais com ar de profissional de leitura de cartas de Tarot dali da Buraca do que de fashionista pelo que, com grande desgosto, me tenho de limitar à apreciação em cabeças alheias. E é uma chatice, que a minha juba está cada vez maior e eu preciso -urgentemente!- de opções válidas para os dias mais quentes.

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Um pequeno vestido vermelho

Há algum tempo que tenho vindo a adoptar o vermelho como ponto de luz para quebrar os cinzentos, pretos, navys e brancos que povoam o meu armário: começou pelo verniz (a minha escolha favorita, seja Verão ou Inverno), depois o batom, depois uma blusa, a mala a tiracolo e agora… Surgiram-me as vontades de ter um vestido vermelho para usar nos dias mais quentes.

E porque não sou senhora de ignorar o meu instinto, fiz logo uma rápida pesquisa de mercado e acabei por escolher um proveniente das minhas mais fantásticas descobertas: o Outlet da Mango. Com tanta coisa esquisita alternativa como fantástica, é onde encontro peças de outras colecções da Mango a preços para lá de simpáticos. Nem tudo são rosas, tem muita coisa de aspecto e qualidade duvidosa. É um sítio onde durante todo o ano podemos aplicar a adrenalina e a lógica dos saldos: com paciência e tempo, encontram-se verdadeiros achados. É especialmente apelativo quando terminam os saldos oficiais da Mango, porque uma boa parte das peças indisponíveis no site normal passam a estar disponíveis no site do outlet – fenómenos deste maravilhoso mundo da moda.

Ainda não recebi a encomenda e neste momento que vos escrevo começam a surgir-me dúvidas sobre a inteligência de teimar em conjugar um vestido vermelho com a minha pele de lula, mas que se dane! Se ficar com metade da pinta das meninas das fotos abaixo, já compensa. Quando a encomenda chegar às minhas mãos já vos digo se foi uma boa ideia.


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(Adoro a combinação do vestido vermelho com o chapéu púrpura, mas acho que não me atrevo a tanto…)

Feliz Dia da Mulher

Um bocadinho atrasada, talvez, mas mais a tempo do que nunca, venho-vos desejar UM FELIZ DIA DA MULHER. Não especialmente hoje, não especialmente no dia 8 de Março, mas todos os dias, 365 dias por ano, 366 em anos bissextos.

Desejo-vos que nas vossas vidas paute o respeito, enquanto seres humanos e enquanto mulheres – esses seres maravilhosos capazes de guardar em si a semente da vida, de dar à luz pequenos humanos, de cuidar, amar e ensinar e que, infelizmente, muitas vezes, se põem em segundo plano.

Desejo-vos que nunca tenham de ouvir os comentários iluminados de quem acha que desigualdade é existir um dia dedicado ao universo feminino – um dia que, para lá de celebrar todos as conquistas alcançadas ao longo de séculos, nos recorda o quão longo ainda é o caminho a percorrer.

Desejo-vos que nunca tenham que optar por uma carreira bem sucedida ou uma família feliz por se encontrarem numa sociedade ainda patriacal, onde a mulher e o seu direito à maternidade não se coadunam com os objectivos das empresas. Nem que tenham de sentir a injustiça de terem um ordenado mais baixo do que um homem por motivos de divergência de cromossomas.

Desejo-vos que nunca se esqueçam que, noutras realidades não tão distantes, as mulheres ainda são proibidas de trabalhar, de estudar e de tomar as suas próprias decisões, sempre subjugadas à figura do homem – o pai, o irmão, o marido, os filhos.

Desejo-vos felicidade, porque não há nada mais bonito que ser mulher, e força para combater todas as desigualdades com que ainda nos vamos debatendo.

E um grande obrigado a todas as mulheres que vieram antes de nós e que sofreram e lutaram por tudo aquilo que agora damos por garantido.

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Os vestidos da Giovanna

Toda a gente inveja o guarda-roupa da Editora de Moda da Vogue Japão, isso já é sabido. Eu, como sou uma moça modesta, na remota possibilidade de herdar o espólio de vestuário da Giovanna Bataglia, e na remota possibilidade de as suas roupitas me servirem (era bom), fico-me pela sua colecção de vestidos!

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Adoro vestidos. Não há peça mais versátil, mais fácil de vestir naqueles dias em que o despertador adormeceu e todo o Universo conspira para que cheguemos atrasadas aos compromissos. Não há peça mais fresquinha no Verão e mais quentinha no Inverno, se conjugada com um bom par de collants opacos. Mas, senhores!, não há peça mais difícil de me preencher as medidas nas últimas colecções disponíveis nas lojas: ou o tecido é manhoso, ou o corte é deplorável, ou o tamanho que me serve fica escanadalosamente curto, ou só há modelos giros em preto, ou os modelos giros que encontro são em cores berrantes, claros candidatos a ficar eternamente no limbo do “não sei se gosto de me ver com esta cor”.

Já corri a Zara (que em termos de vestidos nunca fez as minhas delícias), a Mango (onde apanhei dois modelos giros e em azul-escuro – uma cor aceitável no meu pantone pessoal, portanto – mas que me ficavam ridiculamente curtos), a H&M (que esta estação parece ter apostado em força no comprimento midi, coisa que não me favorece nadinha em vestido) e outras que tais. Estou sem opções. Onde se encontram uns vestidos jeitosos para ainda usar mais uns meses (nada muito fresco, porque o frio ainda aperta), com cores sóbrias (nada de pretos que disso está o meu guarda-roupa cheio: aceitam-se azuis, cinzas, bordeaux, verde escuro…) e com um corte e tecido suficientemente bons para não parecerem uma camisola larga e pingona depois de vestidos? Assim com bom aspecto como os da Giovanna (lembrando que tanto a minha silhueta como a conta bancária diferem – só um pouquinho, né?- das dela)?

Dos Oscars

Destes Oscars, por entre as mil e uma notícias habituais sobre os prémios, o que fulana e sicrana levaram vestido, as que se vestiram melhor e as que se vestiram pior, as que fizeram plásticas e as que não fizeram, o que retive foi isto:

Da Comunidade Vida e Paz, um vídeo realmente interessante e que nos faz reflectir um pouco nas prioridades. A propósito da chegada da temida época de apresentação das declarações de IRS – medo! – a Comunidade Vida e Paz vem lembrar que basta um gesto muito simples para darmos um pequeno – mas valioso – contributo. Não custa nada e num instante se cria um hábito!

O meu armário anda um bocado aborrecido. Preciso de fugir às calças de sempre e de investir num par de calças com padrão para apimentar as coisas.

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Preciso de um par de calças com um padrão jeitoso, com um cheirinho a Primavera, mas ainda adaptáveis a looks de Inverno que o calor não me parece estar ao virar da esquina.