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Sobre aquela história do corpo de praia, dos biquínis para cada tipo de corpo e de (nos) colocarmos padrões de imagem corporal um bocado desviados, deixo-vos este artigo.

Tal como diz a autora, não se trata de apagar de um dia para o outro os anos de inseguranças. Não se apagam. Elas continuam cá, escondidas por detrás de toda a aprendizagem e de todo o processo de auto-valorização. Mas ganhar as armas (e a sabedoria) necessária para saber defender os pequenos defeitos do nosso corpo e para os assumir como parte de nós, em vez de entrar numa espiral de “não-posso-usar-porque-não-tenho-corpo-para-isto”, dá-nos uma perspectiva diferente. Faz-nos crescer, dá-nos força, torna-nos mais completas. E, acima de tudo, permite-nos saborear melhor a vida que, de resto, contas feitas, é a única coisa que interessa.

A vida não é uma linha recta

Eu sei, eu não presto. Sou terrível e deixo este espaço ao abandono. Podia culpar o trabalho, o cansaço, o tempo, a roupa para arrumar, a louça para lavar ou o diabo a sete, mas na verdade foram duas as culpadas: a falta de inspiração e a vida, essa grande matreira que teima em (nos) dar voltas.

O facto é que a vida não é uma linha recta e não há verdades. Não há forma de obrigarmos os outros a seguir o caminho que achamos melhor – nem temos esse direito. Não podemos controlar tudo e por muito que eu gostasse que o percurso dos que amo fossem linhas rectas que me acompanhassem sempre, lado a lado, neste caderninho fantástico que é a vida, nem sempre essas linhas procuram o mesmo rumo que nós. Às vezes as linhas têm outros destinos, têm de voltar para trás, dar a volta, criar círculos, às vezes escolhem entrar em espiral. Há que deixar as linhas seguirem o seu rumo e seguir a minha linha e confiar que as coisas são assim por uma razão.

Ainda que a vida não seja uma linha recta, continuo a apaixonar-me pelas linhas rectas que me assaltam o roupeiro. Riscas horizontais ou verticais, perfeitamente paralelas, numa harmonia que sintoniza na perfeição com outros padrões sem criar demasiado ruído.

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Preparar o corpo para o Verão

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Tão certo como os emigrantes nas férias de Agosto, os santos populares e o IRS é que, chegando o calor, proliferam as sugestões de biquinis, fatos de banho, vestidos e afins para as menos afortunadas no corpo que deus lhes deu. Tens poucas mamas: não faz mal, olha auqi um modelo de biquini que tem copas duplamente almofadadas e que cria a ilusão de um farto colo – ainda que saindo do mar estejam duas horas para o secar. Tens a barriga saliente: veste um fato de banho, que vergonha, a mostrar essas carnes flácidas nas nossas praias rodeada de verdadeiros Adónis do sexo feminino. Esconde as estrias, tapa a cellulite, gasta uma fortuna com tratamentos e cremes para, no final, a única coisa reduzida ser a conta no banco. Esfola-te no ginásio, diz não às jantaradas entre amigos porque o que verdadeiramente importa são aqueles três meses em que desfilas o corpinho na praia. Tens um rabo pequeno: escolhe um modelo mais curtinho, esquece lá o conforto, mesmo que sintas que tens tudo à mostra vais tapando como podes e sorri, sorri porque a beleza está na confiança.

Não me levem a mal: acho que, na roupa em geral, devemos procurar aquilo que nos favorece e que nos levanta a auto-estima, aquela peça que vestimos e que, olhando ao espelho, por muito modestas que sejamos, nos faça sentir a rainha do pedaço. Também não sou uma radicalista contra o Marketing das empresas de cosméticos; aliás, as minhas gavetas de produtos de beleza contam uma história muito diferente. Acho muito importante que, pertencendo ao género feminino ou masculino, cuidemos de nós, que mimemos esta pele que é a única que vamos ter nesta vida, que, se nos faz sentir bem, nos besuntemos em creme anti-celulitico ou que façamos uma coisoterapia para reduzir a gordura.

O que me incomoda é a sensação geral de que não mereço passear na praia se não tiver uma copa D, um rabo Kardashian, uma cintura de vespa e a pele lisa como a de um bebé. Não há revista que abra ou blogue em que entre que não me diga como perder a barriga em dez dias, como eliminar a celulite, que cursos de cross fit/hit training/running/coiso há disponíveis para conseguir um físico invejável, que biquínis devo escolher para esconder aquilo que devo esconder e realçar o que devo realçar, os vestidos que tenho mesmo que comprar nos saldos porque me fazem o corpaço de uma verdadeira bomba latina… Quando a única coisa que eu quero do Verão é chegar à praia, estender a toalha e ter a sorte de ficar longe de grupos grandes, em número e ruído produzido, para conseguir ler o meu livro em paz. A celulite, por muito evidente que seja, incomoda-me menos na praia do que pessoas que gostam de contar, ao vizinho do lado e à praia inteira, assuntos que deviam permanecer numa esfera (muito) íntima.

Não estou neste planeta há tempo suficiente para me sentir preparada para dizer que isto há uns anos não era nada assim, mas a verdade é que a cada ano que passa sinto mais a pressão, em mim e nas outras mulheres, para obedecer a certos requisitos anatómicos. À minha volta, oiço coisas como “não posso usar biquíni porque tenho a barriga flácida” ou “não posso usar saia porque tenho as pernas muito brancas”. A minha questão é sempre a mesma: gostas de usar biquíni? Gostas de usar saia? Então veste o que te apetecer, sê feliz e preocupem-se com coisas mais importantes, como se a tendência das coulottes é para ficar ou não ou a situação da Grécia na Europa.

É importante cuidarmos de nós. Mas temos de perceber o que é mais urgente cuidar: se do corpo, se das feridas causadas por não termos o corpo perfeito. Durante anos, sofri complexos com o meu corpo, por ser muito magra, com o meu cabelo, por ser muito volumoso, com o meu nariz, por ser muito grande. Era gozada, achava-me a miúda mais feia do grupo de amigas, punha-me sempre num patamar abaixo. Até que percebi que, mesmo que fosse a mais feia e a mais nariguda, não tinha forçosamente de ser a mais infeliz: podia (posso) aprender a viver com as minhas imperfeições, usando pequenos truques para os disfarçar, se me apetecer, mas sem viver absorvida por isso nem fazer disso impedimento para nada.

Se me comparar com muitas miúdas da minha idade, tenho uma barriga mais saliente e flácida, tenho algumas estrias devido a oscilações de peso, tenho celulite daquela que só se vê apertando e celulite que se vê à vista desarmada. E daí? Faço desporto, cuido da minha alimentação – devo viver obcecada porque mesmo assim não consigo alcançar os requisitos que ditadura da beleza impõe?

Acho que faz todo o sentido falar em alimentação, em exercício e até mesmo em modelos para cada tipo de corpo – o que não faz sentido é que achemos que isto é uma cartilha, uma coisa comprovada e testada pela ciência e que se temos peso a mais, ou a menos, não temos direito a vestir o que bem entendermos.

É verdade que é importante sentirmo-nos bem com o nosso corpo e que é muito bom sentirmo-nos umas verdadeiras modelos mas, fazendo as contas, isso não faz de nós mais felizes: o sol não brilha mais, o amor não é mais forte e os prazeres (não era desses que eu estava a falar, suas mentes perversas) não são mais intensos porque temos umas pernas dignas de uma Gisele.

Vamos comer bem porque gostamos do sabor dos alimentos mais frescos e saudáveis, fazer exercício porque nos sabe bem aquela sensação do corpo cansado no final, vestir o biquini (ou fato de banho) que vimos na loja e que gostamos e usar a grande maioria dos artigos sobre como conseguir um corpo de Verão para forrar a gaiola onde guardaremos os nossos complexos.

Yay ou nem pensar?

De vez em quando, surgem tendências que, por muito boa vontade que eu tenha, não têm ponta por onde eu lhes pegue. Eu juro que tento. Posso estranhar ao início, mas lá vou vendo em outras pessoas pelas ruas, nos manequins de exposição na loja e, com uma ou duas estações de atraso, regra geral, acabo por me render. Este ano, uma das tendências são as coulottes e estou com sérios problemas em conseguir achar algum tipo de piada a este modelo de calças. Em primeiro lugar, é modelo para ficar bem a pessoas com dois metros de pernas e, mesmo nesse caso, é preciso um cuidado gigante para criar um look harmonioso que não me faça torcer o nariz.

Ainda não tive coragem para experimentar este tipo de calças e cheira-me que é coisa para me arrasar a auto-estima, mas pesquisando com algum carinho até sou capaz de encontrar alguns looks que me agradem.

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Se calhar estou a ser teimosa, se calhar está à minha espera nas lojas um modelo fantástico, que me irá deixar com uma silhueta de modelo e que se vou querer comprar em todas as cores e vestir todo o Verão. Ou então espera-me só um pequeno esgotamento, dez minutos sentada no banquinho dos provadores a repensar a minha vida e quinze minutos totalmente desperdiçados a experimentar um tipo de calças que tem tudo para me arrasar a confiança.

Instagramem-me

Tenho andado um pouco ausente daqui das lides do blogue, mas há um sítio onde ando um pouco mais activa: o Instagram.

Durante imenso tempo achei uma tonteria, recusei-me, bati o pé e disse que não ia criar conta em mais uma rede social. Depois, como na maioria das coisas, rendi-me e acabei por criar uma conta. Não prometo fotos fantásticas e conteúdos incríveis, mas podem encontrar-me por lá num registo um pouco mais pessoal do que aqui. Procurem por lidia_martiniano e instagramem-me!

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Compras online H&M

Sou fã de compras online, especialmente quando me dá fomes de trapos a horas impróprias para ir ao centro comercial. A facilidade com que em meia dúzia de cliques compramos mais trapinhos é, ao mesmo tempo, fantástica e assustadora. Já experimentei o serviço de encomendas online do grupo do tio Ortega e ainda lhe juntei experiências com a Mango, a Mango Outlet e algumas lojas estrangeiras, como a Asos e a Missguided. Tudo perfeitinho. Por isso, recebi a novidade de que a H&M passaria a ter disponível a opção de compras online com muita alegria.

Entrentanto, ouvi por aí que o serviço da H&M online não era dos melhores, que a entrega demorava mais do que o suposto e que por vezes havia trocas de produtos. Refreei os impulsos e esperei até que eles ganhassem mais prática na coisa. Há umas semanas, a passear pela loja física, e inspirada por este post da Look a Day, resolvi experimentar um vestido que nunca me saltaria à vista. Primeiro, era o material – nada daquilo que costumo procurar em vestidos, não sei explicar bem mas é uma espécie de jersey que, ao toque, não seduz; depois, era o modelo: costumo achar este tipo de vestidos demasiado “femininos”, nada práticos e demasiado dressed up para o meu gosto. Mas a Ana tinha falado no Look a Day sobre como estes vestidos favorecem qualquer silhueta e resolvi experimentar. E ela tinha razão. Gostei mesmo de me ver com o vestido, mas o padrão não me convenceu: um fundo branco com umas grandes folhas em verde… Muito bonito, muito estilo tropical, mas totalmente fora da sintonia do meu armário em termos de calçado e acessórios, pelo que, com muita pena, o deixei lá. Já vos falei do preço? 9,99€! Havendo em todas as cores lisas do arco-íris, eu traria certamente metade.

Como não sou moça de desistir, fui para casa e corri o site à procura de outros padrões ou cores mais sóbrias, mais de acordo com o meu gosto. Bingo! Encontrei em preto e foi direitinho para o carrinho de compras. Pelo caminho, esbarrei num macacão com um padrão apaixonante (e este sim, com cores mais neutras) e, feitas as contas, era coisa que me estava a fazer falta no armário, pelo que também foi para o carrinho de compras. Fiz o pagamento e esperei pacientemente.

Confesso que fiquei a achar que a H&M ainda tem muito de aprender nestas coisas de compras virtuais: a entrega pode ser feita na morada do cliente (até aqui muito bem) ou em postos dos CTT. Tendo a H&M uma cadeia de lojas bastante alargada, acho que não faz muito sentido que, em vez de disponibilizar a entrega nas lojas, como outras marcas fazem, reencaminhem as encomendas para lojas dos CTT. As devoluções processam-se da mesma forma: deixamos a encomenda no posto dos CTT e, do valor devolvido, é-nos debitado o valor de 1,99€ de custo pelo processo de devolução.

Fora isso, fiquei contentíssima com as duas aquisições, especialmente o macacão: é super confortável, o tecido é um tecido elegante que permite adaptá-lo a várias ocasiões, o corte favorece a silhueta e o padrão é descontraído e divertido. Deixo-vos as imagens das moças do site, que eu sou demasiado tímida para vos mostrar como fico com eles vestidos (e também não tenho um espelho decente que faça justiça aos modelos):

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O macacão é mesmo paixão, há imenso tempo que andava à procura de uma peça assim com um estampado fora do vulgar, mas tudo o que me aparecia à frente era demasiado colorido, demasiado chamativo, e eu não me sentia favorecida. Este é sóbrio e invulgar na medida certa. O único ponto negativo é a abertura do peito, que é escandalosa, mas não tanto que um alfinete-de-ama não resolva.

JO vestido, não sendo nada de especial (tem um ar mais fancy no site do que ao vivo) é simples, bom para conjugar com rasos ou saltos conforme o espírito, adicionar mais ou menos acessórios conforme a vontade e, muito importante, é seguro para usar em ambiente de escritório (um grande problema nos vestidos, especialmente para quem se situa acima do metro e sessenta, é o comprimento dos vestidos não acompanhar as regras anatómicas). Tenho mesmo muita pena de não gostar das outras cores/padrões, porque pelo preço era ideal para encher o armário com alternativas fáceis e frescas para aqueles dias de Verão em que tudo me parece demasiado quente.

Em suma, a experiência de compra online não foi transcendente, foi aceitável,  mas acho que ainda há muito que desenvolver e que as marcas da concorrência estão muito mais avançadas nesse aspecto. Mas as roupitas, essas, fizeram maravilhas ao espírito e à auto-estima!

Cor, cor, cor!

Chegando o calor a mulherada quer é cor! Cor na pele (com juízo meninas!), cor na roupa, cor nos acessórios! Quando as colecções de roupa ainda não convencem, a roupa que guardámos do Verão passado tem sabor a “requentada” e precisamos de um abanão nos looks do dia-a-dia, a solução passa por acessórios que gritem Verão (mas com jeitinho, que eu não gosto que gritem comigo).

Já se fala de acessórios statement há algumas estações e, porque em equipa vencedora não se mexe, estes continuam a ser as estrelas do meu armário assim que brilham os primeiros raios de sol mais quentinhos.

A Bimba y Lola tem peças de bijutaria fantásticas e esta colecção aposta principalmente na cor e na diversão: mistura de cores e texturas e formatos inusitados. Seleccionei as minhas peças favoritas, só para vos dar uma ideia do que me passa pela cabeça nestes dias:

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Estas são as peças que me saltaram à vista, mas toda a colecção merece uma espreitadela, mesmo que não estejam a fazer planos de investir tanto em bijutaria.

A receita infalível: jeans + t-shirt branca + acessórios statement. As moças mais discretas (como eu) quererão, de certo, apostar só numa peça: colar, brincos ou pulseira – qualquer coisa que seja o ponto de luz do look. As moças mais arrojadas vão experimentar combinar duas ou mais peças marcantes – por mim parece-me fantástico, mas não exagerem: o look árvore de Natal não é nada apropriado para a estação e os looks de Verão querem-se fresquinhos e confortáveis!

Como sou uma florzinha de estufa, costumo fazer alergia ao material da bijutaria das lojas mais acessíveis em termos de preço e já desisti de comprar peças nessas lojas porque o ciclo é, invariavelmente, usa-coça-coça-coça-tira-deita fora. Assim, vou-me agarrar às peças que já tenho em casa, que passaram no teste, e pensar em adquirir uma ou outra pecita de maior qualidade. Ficam umas imagens, à laia de inspiração.

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Espadrilles

Se há uns anos atrás considerava os saltos de cunha em corda o oposto de cool, este ano dou por mim a babar por uma destas meninas. Perfeitas para conjugar com umas calças de ganga naqueles dias em que o roupeiro está de trombas comigo e versáteis q.b. Numa primeira análise, vejo-as conjugadas com todo o santo par de jeans que adoptei nos últimos anos (também houve uma fase em que estava zangada com as calças de ganga, mas depois passou-me), mas vejo-as também a jogar lindamente com vestidos, saias e calções, perfeitas para dar um ar de casualidade a todas as peças de corte ou tecido mais clássico.

As espadrilles, também conhecidas como alpercatas, surgiram no século XIII nos Pirinéus e eram inicialmente utilizadas pelos soldados catalães e aragoneses por se tratarem de um tipo de calçado resistente às temperaturas e ao solo irregular. Algures pelos anos 60, um senhor cujo nome devem reconhecer, Yves Saint-Laurent, lembrou-se que se calhar aquilo era calçado para ficar jeitoso com um saltinho e pimba, tornou-se um sucesso em todo o mundo.

Pesquisando no amigo Google é possível encontrar várias marcas que se especializaram no fabrico deste modelo de calçado, seguindo as técnicas originais e com os melhores materiais. Gostei especialmente dos pares da marca Castañer, uma marca espanhola que fabrica espadrilles desde 1927. Os preços não são os mais simpáticos e dificilmente irei gastar tanto num par de sapatos, porque, embora reconheça o valor quando falamos de confecção justa, não acho justo para a minha carteira desequilibrar o orçamento mensal com tal rombo. Mas ver coisas bonitas (ainda) não se paga e serve sempre de inspiração.

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Regresso às origens

Ideias arrumadas, com uma nova estação pela frente, já me sinto em condições de voltar a debitar por estas bandas parvoíces que sejam dignas de se ler. Perdoem-me a ausência, mas por esta altura já devem ter reparado que de vez em quando tenho períodos de “apagão bloguístico”, em que o tempo é tão pouco quanto a inspiração. E, tenho isto como máxima de vida, para não dizer nada de jeito mais vale estar calada.

No início de todas as estações preciso fazer um esforço de formatação – apagar vícios, gostos e tendências para iniciar a nova estação do zero, receber as novas modas de braços abertos, acarinhar os novos tons, dar as boas-vindas aos novos cortes, tecidos e texturas.

Feita esta limpeza, surgiu-me a vontade de fazer também um reset capilar: abandonar anos de alisamento permanente que me tornaram uma escrava da prancha de alisamento (‘cês sabem lá o drama que é tentar esticar a raiz nas manhãs de Agosto sem derreter a maquilhagem acabadinha de botar).

A minha história capilar começa quando, no pico da adolescência, esta alminha achou que seria boa ideia cortar o cabelo à la Rihanna (vulgo bob pelo queixo). Se eu mandasse, moças adolescentes com as hormonas descontroladas e pretensões a pop stars não estavam autorizadas a entrar em cabeleireiros sem suas mães. Como devem imaginar, cabelo que é frisado, encaracolado, indomável e descontrolado não reage bem a um tipo de corte que foi pensado para cabelo liso. Seguiram-se muitos anos de luta contra a cabeleira, cabelo preso em rabo-de-cavalo, muita revolta contra este cabelo indomável que destoava das cabeleiras lisas, sedosas e esvoaçantes das minhas amigas.

Descobrir o alisamento permitiu-me descobrir um mundo de penteados e liberdades que não imaginava ser possível e, até há mais ou menos dois anos, cortei o cabelo de todas as formas e feitios que me apeteceu, saboreando esta liberdade de ter um cabelo que, seja qual for o tamanho e corte, se mantém no lugar certo, sem volumes ou jeitos. Mas também me abriu as portas a um mundo de obrigações: a obrigação (o pânico!) de repetir o processo de cada vez que a raiz começa a dar de sua graça, o processo demorado, chato e por vezes um pouco doloroso (ainda que minimizado pela paciência da minha fantástica cabeleireira)…

Ultimamente tenho usado bastante os meus acessórios modeladores para criar caracóis, porque me aborreci do liso escorrido e porque, chegado a um certo comprimento, este look me parece cada vez menos interessante, o que me levou a reflectir sobre a ironia: tenho um cabelo naturalmente encaracolado, que submeto a um processo químico para alisar e que posteriormente torturo com aparelhos de calor para ter caracóis. ‘Tá certo.

A verdade é que mudo de ideias com demasiada frequência para comprometer a um só estilo, mas esta vontade de regressar às origens é cada vez maior, pelo que acho que vou aproveitar a onda do Verão para me comprometer com as ondas. Entretanto, vou procurando inspiração.

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Tendência em banho-maria


Por esta altura, já devem ter percebido que sou fã de saias lápis. Acabando acima ou abaixo do joelho, é o tipo de saia certo para nos fazer sentir a tipa mais jeitosa do bairro. É a fórmula Kardashiana para levantar a moral. Como sou uma moça descontraída, gosto de as combinar com peças igualmente desocontraídas: t-shirts, camisas oversized, blusões, sapatos e sandálias rasas e até mesmo ténis.

Há uns dois anos, a saia lápis em ganga foi tendência e eu rendi-me à evidência. No Verão, comprei uma em ganga clarinha, com uns rasgões para lhe dar mais ar de mázona (à saia, que eu não preciso) e usei-a até à exaustão. Guardei para o ano seguinte, mas por motivos que a razão desconhece, embirrei com ela e deixei-a de castigo no armário, durante todo o Verão.

Diz que este ano a ganga volta em força – nesse delicioso movimento cíclico que traz para as montras aquilo que as nossas mães usaram há alguns anos atrás. Pelo que tenho visto, a oferta das lojas fast fashion centra-se muito no modelo evasê, em patchwork ou com botões na frente, que não me seduz muito. Lembrei-me então da minha boa saia lápis de ganga, que aguarda pacificamente no meu armário, junto dos tops, blusas e vestidos de Verão, que a chuva pare, o tempo aqueça e a dona a volte a usar. Não é uma peça loucamente versátil: não se adequa a alguns ambientes de trabalho, não gosto muito de a combinar com tons escuros… Mas tem pinta, é confortável e perfeita para usar no Verão.

Pode dizer-se que ficou ali, em banho-maria, uma tendência para reaquecer e voltar a provar neste Verão, sendo que há pratos que ainda sabem melhor reaquecidos (surge-me assim de repente o chili, que fica ainda mais divinal de um dia para o outro). E parece-me que esta saia, agora amadurecida pela espera, ainda me vai saber melhor este Verão!

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